sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Inesquecível


O caminho até o local exato demora mais que o normal. Os olhos já não me respondem como deveriam. Eles estão atônitos, nervosos. A boca parece recusar se umedecer. As mãos, pelo contrário, transpiram ansiedade. O destino se aproxima cada vez mais e a vibração aumenta junto com a música que toca na rádio. O clima vai sendo montado.

Chegando lá, toda a decoração dá o tom da importância do evento que está para acontecer. O auditório se prepara para ser preenchido por pessoas das mais variadas personalidades, mas com o mesmo sentimento: orgulho. Orgulho daqueles que são sangue de cada um ali. Pessoas que lutaram durante anos em busca de apenas um sonho.

O palco é tomado por talentosos personagens que estão ali como coadjuvantes. Eles trabalham duro e me fazem sentir a certeza de que, de qualquer forma, eu deveria estar ali, naquele momento.

A hora vai se aproximando e minhas pernas começam a querer tremer e dançar ao mesmo tempo. Depois de algum tempo, observo o espelho e vejo uma vestimenta fantástica e, dentro dela, um rapaz com seus ínfimos, porém bem vividos, 20 anos, de olhos arregalados por admirarem aquela cena. Ensaio poses e comemorações, tentando parecer o mais natural possível. Mas não adianta muito. Na hora, apesar do treinamento, nunca fazemos o que, supostamente, havíamos decorado. O relógio caminha lentamente, fazendo charme para 12 pessoas que, pela primeira vez, querem que ele corra tão depressa.

As batidas musicais anunciam a entrada dos ícones de superioridade do conhecimento. Nossos ouvidos ficam atentos, e parecem nos fazer "observar" tudo que está acontecendo logo ali, perto do backstage.

E então ela vem. A música que pressupõe nossas entradas. Dance, vibre, reconheça seus parentes na multidão. Seja você em um momento em que ser você é a única coisa que você deve fazer.

Quando piso no palco, não consigo encontrar ninguém que eu conheça, sendo que abraço todos que estão ali, batendo palmas para mim. Todos agora são meus parentes e amigos. E quantos sorrisos, Deus! Me sento e começo a observar cada expressão, cada gesto, cada pensamento ali presentes. Meus caros colegas, vocês realmente são demais. Posso dizer que, no final, tudo valeu a pena.

E então encontro minha galera, ali, presente, torcendo por mim! Como é bom. Me acompanhavam também algumas pessoas que não puderam fisicamente comparecer, mas que me fizeram, através de seus pensamentos, sentir suas boas vibrações. Alice, ela também. Se brincar, ela estava ao meu lado, contando o que achou de tudo que organizamos ali, e me parabenizando, claro, pela conquista.

No ápice do evento, luzes se transformam em margens que emolduram um quadro onde se encontra uma das mais belas pinturas já feitas. No momento em que finalizo o ritual principal, abraço uma de minhas colegas e vejo todos os outros se abraçando também.

Nesse instante, percebo que pessoas que pensava não mais conseguir encontrar, foram ao meu encontro. Incrível. Eu as subestimei. Como fui tolo.

Imagine o momento final de tudo isso como sendo a comemoração pelo nosso esforço, com direito a dança mal ensaiada e muita vibração. É, acredito que foi uma das experiências mais gratificantes da minha vida.

Ao final, agradecimentos em forma de abraços a todos aqueles que se mostraram partes de tudo isso.

Dito isso, só me resta confirmar que todos devem passar pelo que eu passei ontem. Um misto de ansiedade, emoção e certeza. Agora, posso dizer que sou um cara quase realizado, sem nunca querer ser completamente, pois é ótimo correr atrás de sonhos.


Quando será a minha vez de vibrar assim por você?

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