quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Um Natal de Expectativas



"A questão, Snowball, é que eu precisava sentir o poder daquela época novamente. Com o tempo, o espírito natalino se tornou apenas um tema de filmes no mês de dezembro, e, mesmo sendo essa uma arte que admiro muito, não é isso que penso ser o essencial no Natal. Eu precisava recuperar a habilidade que tinha em criar. Sendo assim, fiquei dias pensando no que me tornava diferente em tempos remotos, em tempos que as pessoas sabiam qual era a importância dessa data.

E eis que, como num estalo, consegui enxergar um facho de luz.

Era ela, aquela ajudante que hoje se chama Lázara. E também aquela árvore.

Sempre que imaginava como era bom tê-las aqui, comigo, eu conseguia imaginar os brinquedos que criava, as formas que encontrava para plantar sorrisos ao mesmo tempo em que ensinava o valor de tudo isso. Mas como eu poderia recuperar essa confiança no meu trabalho, na minha mágica, se já não podia contar com a companhia daquela, agora, pessoa maravilhosa?

Resolvi então buscar aquilo que me fazia sentir sua presença.

A árvore feita de neve. Sim, ela mesma. Fui até aquela mesma casa que visitamos no dia 18, há alguns anos atrás, e conversei com Lázara. Expliquei minha situação, e ela, como sempre, foi atenciosa ao extremo, não pensando duas vezes em me emprestar o presente que havia lhe dado, para que pudesse começar minha "reforma natalina". E como tudo mudou depois daquilo.
Criei, apreciei, evoluí, inspirei. Tudo isso tendo como base a imagem daquela imensa árvore branca em frente à minha mesa de criação, sendo aquela possuidora de todas as lembranças do mundo, que tinha toda a beleza do mundo, pois ficara aos cuidados da melhor "pessoa" que já conheci.

Mas o foco dessa conversa é o seguinte: preciso muito resolver um assunto pendente, resultado de toda essa história que te contei:

- E então o mistério foi revelado -
Preciso devolvê-la.

Já são anos que privei minha querida ajudante da beleza única dessa árvore, que, como já expliquei, não pode existir sem sua companhia. E é por isso que hoje, dia 23 de dezembro, estou aqui, conversando com você, Snowball.

Você se mostrou interessado em conhecer o motivo de meus devaneios, de minha expressões misteriosas. Pois então, hoje é o dia em que, na teoria, eu deveria devolver a árvore de neve a ela. A questão é que não sei onde ela está!"



Sim, querido diário, a tal missão é mais interessante do que eu pensava. Noel estava aflito por não conseguir encontrar Lázara. Fomos até a casa e eu sou prova de que ela não está lá, apenas suas netas. Sendo que Noel não tem o costume de conversar cara a cara com humanos, para que o mistério seja mantido, seria complicado perguntar àquelas duas o seu paradeiro.

E foi nesse momento que me senti o elfo mais útil de toda a fábrica.

- Noel, entregue a uma daquelas meninas que enfeitavam a antiga casa de Lázara.

- Hum...mas como elas vão saber o significado dessa imensa árvore, parada, no meio da sala?

- Use a ferramenta que as crianças sempre usaram com o senhor: escreva uma cartinha e pendure-a em um dos ramos.

Ele sorriu. Gostou da ideia, eu podia sentir.

- A questão é que, infelizmente, não sei se elas atenderão meu pedido, se o julgarão verdadeiro. Como sempre fiz, preciso ver se as crianças merecem determinado presente ou não.

- Noel, apenas se lembre daquela imagem. Lembra de quando me pediu pra que eu ficasse com a imagem das duas na mente? Pois então, peço-lhe que faça o mesmo. Existe uma delas, se não me engano a Alice, que tenho certeza possuir o espírito natalino da avó, pois a atenção que dava aos detalhes, a tudo que estava sendo montado, me remeteu à minha paixão pelo Natal, ao meu apego pela ideia de conservação de tudo relacionado a ele. Não pense duas vezes, deixe a árvore com Alice e tenha certeza de que ela vai saber o que fazer.

Nesse instante, o bom velhinho se virou para a árvore de neve, colocando seu dedo indicador no queixo e produzindo um som peculiar com a voz, o que me levou a crer que estava analisando a minha sugestão. Depois de alguns minutos conversando através de ruídos consigo mesmo, ele, enfim, chega a uma conclusão.

- Snowball, não tenho certeza de que é o certo, mas confesso que pela primeira vez nesses dias eu consegui enxergar um final feliz pra essa "missão" que criei. Vamos, chega de perder tempo, amanhã já é véspera de Natal, sendo assim o dia ideal para a devolução!

E assim aconteceu. Planejamos tudo e, na manhã de hoje, dia 24, a árvore já estava lá, de pé, no meio da sala decorada de Alice.

No momento, estamos carregando o trenó, e partimos daqui a algumas horas. Não dá pra dizer como será a noite naquela casinha espremida pela neve e pelas árvores, mas confesso estar quase abrindo uma brecha na minha comemoração para ir lá dar uma espiadinha. Por que não?

Aguarde-me, diário.


Snowball.

2 comentários:

  1. A isso eu chamo de imaginação fertilizante.

    ternura sempre!

    Se quiser siga o voo da esperança.

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  2. Continua tão lindo e encantado *.*
    História maravilhosa!

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