Ah, a adolescência. Carter e Alice, depois de enfrentarem as dificuldades da chamada "melhor idade", trabalharem duro para que suas organizações perpetuassem e estudarem muito para alcançar o nível ideal de conhecimento na faculdade, agora se encontram no momento mais divertido, imaturo e nostálgico da vida. Ao menos no mundo real podemos defini-lo assim. Se aqui nós sentimos falta da época em que podíamos chegar tarde em casa após uma farrinha, cometer loucuras dosadas em busca de novas sensações, errar até não conseguir mais, no mundo de Carter e Alice essas atitudes são meio que um descanso pós-batalha. Depois de terem montado toda uma história, todo um patrimônio, os dois querem apenas se divertir, mas agora com toda a energia que esse perfeito sistema chamado corpo humano pode oferecer.
Agora mais joviais, os dois decidem, antes de mais nada, viajar para conhecerem os mais inusitados locais do mundo. Com o dinheiro que acumularam durante toda a vida, a primeira parada são as pirâmides do Egito. Fascinante. Carter sempre ficou impressionado quando olhava os vídeos na internet sobre esses monumentos inacreditávelmente construídos pelas mãos dos seres humanos. Pausa para fotos.
Logo depois, decidem viajar para a Austrália. Alice sempre teve vontade de praticar os famosos esportes radicais praticados por lá. Saltar de uma ponte enquanto está presa em uma corda elástica pode ser até loucura para alguns. Para ela, é uma sensação indescritível. Carter prefere esportes ligados ao mar. Sempre achou que ali é que mora a verdadeira adrenalina que a vida pode oferecer.Passagens compradas, os dois vão até a famosa Eiffel Tower. Com as luzes de Paris iluminando o plano de fundo, os dois tomam um café enquanto olham toda a cidade do alto desse símbolo Francês.
Sem ter tempo de, ao menos, descansar direito, os dois partem para Inglaterra, onde fazem de tudo: passeiam em bondes, curtem com a cara dos soldados reais, que, proibidos de se mexer, têm que aturar as palhaçadas inofensivas de Alice e Carter. Conhecem de perto o motivo pelo qual muitos dizem que Londres é uma cidade fria, enfim, saem de lá com uma bela noção de como aquele país é. Próxima parada? Hawaii. Ah, o Hawaii. Sonho de muitos. Privilégio de poucos. Carter surfa como nunca em um dos paraísos desse esporte. Alice apenas toma um banho de sol enquanto observa Carter saindo de tubos, mandando vários switchfoot's e tomando vários caldos. A música lúdica hawaiiana complementa a experiência, enquanto nossos protagonistas analisam qual será o melhor destino depois dali. Concentrados como sempre foram, decidem visitar um dos povos que os inspirou a ser assim. O Japão hospeda Carter e Alice, oferecendo-lhes tudo de melhor que aquela nação auto-desenvolvida possui. Em termos de tecnologia, consegue fascinar Carter ao máximo, pois este sempre idolatrou tal evolução.
A cultura, a culinária, as tradições. Tudo é absorvido pelos dois.
O tempo passa...
Após conhecer praticamente toda Europa e cia., os dois decidem conhecer por completo o país que os hospedou por tanto tempo. O Brasil é o alvo final, pois a adolescência estava chegando ao seu fim, ou seria ao seu começo?
As praias, as cidades turísticas, os diferentes tipos de povos, as festas, as tradições. Nunca haviam olhado o Brasil de uma forma tão aprofundada. Apesar de, antes dessa época, ter o sonho de conhecer o mundo por completo, Carter percebe que não há melhor lugar para se viver do que aquele que nos é oferecido como casa.
Rasgação patriótica de seda à parte, toda essa fase da chamada "aborrecência" é utilizada de uma forma ousada, irresponsável, assim como manda a cartilha. Se no mundo real, o que possuímos durante essa caminhada é vontade, energia e sonhos, mas muito pouco dinheiro, no mundo de Carter tudo se encaixa no melhor momento. Energia, vontade, ousadia, dinheiro e experiência para saber que deve-se aproveitar ao máximo cada segundo dessa fase.
O tempo passa...
Finalmente chega o momento tão esperado pelos nossos protagonistas. A adolescência inconsequente dá lugar à ingenuidade da infância. Carter e Alice se vêem no momento mais inocente da vida, o que representa um paradoxo tremendo, se levarmos em conta a experiência já adquirida pelos nossos protagonistas. Mas a idéia é exatamente essa. Não adianta termos uma vasta experiência se esquecermos da criança interior que deve existir continuamente em cada um de nós. No mundo de Carter e Alice, essa é a essência da vida. A busca pela valiosa infância é o que faz os dois viverem cada segundo como se fosse o último.
Quando, ao estarem velhinhos, sorriam ao cumprir as tarefas dadas pelas tirinhas de papel escondidas. Quando sorriam ao perceber que o dom de um completava o do outro, fazendo com que suas organizações ficassem mais famosas e se estabilizassem. Quando, na adolescência, caíam no chão de tanto rir, pois não entendiam o por quê da vida ser levada tão a sério por muitos, sendo que, nos momentos mais difíceis, todos podem ligar para uma pessoa querida e marcar uma viagem que pode não ser como as de Carter e Alice, mas pode representar a mesma alegria que eles sentiram ao aproveitar cada momento com o auxílio do infância que esteve sempre dentro deles e que, agora, se torna real, visível.
Fazer os cabelinhos em forma de cuia saltarem enquanto brincam de pique-esconde, fazer poses curiosas enquanto se desafiam na brincadeira da estátua, comer um monte de doces e outras porcarias, encher o saco daqueles que agora tomam conta de seu bem-estar, começar uma brincadeira e se desentender um com o outro para, logo depois, começarem a dar gargalhadas do nada, voltando a brincar da mesma maneira, enfim, a infância se tornara o momento mais simples e mais proveitoso de toda aquela caminhada.
O tempo passa...
Ao alcançar a infância, Alice sente que seu corpo já não possui a mesma resistência que antes, por isso a doença, diagnosticada há algum tempo, mostra sua força quando faz Alice desmaiar enquanto montava castelos de lego com Carter. Sabendo que ali aconteceriam os últimos momentos de Alice, Carter a abraça forte, tendo a certeza de que o objetivo dos dois havia sido alcançado, pois, após toda uma vida voltada à alegria, ele a vê dormindo em seus braços com um sorriso nos lábios.
Ele a olha fixamente, tentando entender o por quê de tudo aquilo. Mas as respostas já não aparecem com a mesma facilidade. Alice abre os olhos vagarosamente, desliza uma de suas mãos sobre o rosto de Carter, enquanto este fecha os olhos como se dissesse que queria aproveitar cada segundo daquele momento. O tempo mostra sua força. Como reféns do mesmo, Carter e Alice agora se encontram nos últimos momentos de vida. Mas o que é a vida para eles, depois de tudo que presenciaram?
A vida, para eles, pode ser divida em partes. Quando viajamos com os amigos, estamos praticando o ato de viver. Quando brincamos de pique-esconde na infância também. Quando conversamos durante toda uma noite em busca de uma solução para algum problema, estamos vivendo. O mesmo vale para cada segundo em que sorrimos por encontrar o tal pote de ouro no fim do arco-íris.
Em meio à essa reflexão, Alice fecha definitivamente seus olhinhos verdes. Carter a observa por mais alguns instantes e se despede de sua eterna companheira, tendo a certeza de que a encontrará num futuro não muito distante. Enquanto isso não acontece, ele resolve deixar seu legado através de textos publicados em um site onde todos podem registrar suas experiências, compartilhando-as com as mais variadas personalidades.
Com a imagem de sua fiel companheira, ele olha para o fim dessa estrada tendo a certeza de que fez e está fazendo o melhor para a sua vida. Que todos aqueles que lêem seus textos possam encontrar suas Alice's e seus Carter's. Esse é o seu desejo.
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Alice e Carter.
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