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Segunda-feira, 20 de julho de 2009
Dear diary,
Sabe, ontem fiquei pensando na conversa que tivemos sobre aquela tal pessoa sobre a qual lhe falei, a Alice. Penso que não ficou claro o que ela se tornou pra mim com o passar do tempo. Foi por isso que, hoje, decidi dedicar essas páginas a ela. Quero que você entenda que a Alice se tornou uma verdadeira companheira de viagens, uma tripulante da caravela que construí para representar minha vida. Mas pra que você veja isso, preciso começar do começo, claro.
Era uma tarde de sábado quando vi uma de suas fotos pela primeira vez. Ela estava com um sorriso lindo, de verdade. Já possuía um rostinho que emanava paz, que mostrava que eu havia encontrado alguém que realmente é iluminada. Mas eu fiquei com vergonha, ora. Sempre fui meio na minha em relação a ser o primeiro a dizer "oi", o primeiro a tentar conhecer alguém. São raras as vezes que me arrisco. Raríssimas, melhor dizendo.
Dias depois, eu encontro seu flog. Quem nunca teve um? Na época que eu empolguei com o meu (por volta dos 16 anos), eu senti novamente aquele gelinho na barriga quando vi a mesma foto que havia me encantando dias atrás postada no dela. Haha. Foi engraçado. Nesse dia, resolvi tomar coragem pra dizer um desajeitado, mas sincero, "oi" pra ela através do Orkut.
Pensa no meu nervosismo. Fiquei ansioso por não saber se ela iria me ignorar, se ela iria me responder monossilabicamente com um "oi" que não deixaria espaço pra mais nada. Mas sabe quando a gente sente que a pessoa é diferente, quando o medo do risco passa rápido e a vontade de ver logo uma reação positiva se torna mais forte?
Acabou não dando outra. Ela me respondeu com a maior simplicidade que eu poderia imaginar, mas era uma simplicidade contagiante. A partir daquele dia, eu começaria a conhecer uma das pessoas pela qual eu sinto mais carinho hoje em dia.
Lembro-me das conversas que tínhamos sobre pontos interessantes da vida, que muitas vezes são esquecidos ou ridicularizados pela maioria das pessoas. Aprendemos com o tempo como é bom buscar uma resposta para aquela crucial pergunta:
"Quem realmente somos?"
Hoje eu sei quem eu sou, e devo boa parte dessa conquista a ela.
Quantas vezes não dei trela de rir quando a olhava pela web cam se descabelando por tentar pegar seus priminhos, ao passo que rolava de rir ainda mais quando percebia que o cabelinho de um deles passava sempre pulando atrás dela, indicando que ele estava realmente em um dia inspirado. Haha. Mas sabe, o melhor disso tudo é que eu sempre senti que nela eu encontrava o apoio que eu mais precisava. Nessa fase da adolescência, o mais difícil é montar nossa personalidade, de modo com que ela se torne tão sólida que nenhuma opinião ou nenhuma crença comum a faça se tornar o que ela não é em sua essência. Posso dizer que é isso que ela vem dizendo em cada conversa, em cada conselho que me dá e, quando não o possui, faz questão de descobrir comigo o que melhor há para se fazer.
Pouco tempo depois, descubro que ela é uma artista. Uma artista da vida. Com um talento inigualável para desenhar, Alice conseguiu colocar no papel vários pensamentos que eu vivia tentando passar para o meu caderno através das palavras, mas sem sucesso. Quando olhava, pela wc os desenhos que ela fazia, sentia como se uma luz começasse a me iluminar, entende? E isso me fazia acreditar e enxergar o caminho correto que deveria tomar para conseguir fazer isso.
Este texto que fizemos questão de colocar aqui (Uma homenagem ao mestre) é só um exemplo do que ela criou junto comigo ao longo desse tempo. A sensação que tive, por exemplo, ao vê-la se maquiando, transformando-se em uma personagem que eu poderia, sem sombra de dúvidas, incluir nas minhas histórias, foi fantástica. Até hoje, quando lembro, respiro fundo, tentando conter o sorriso de alegria, resultante da emoção de poder ter presenciado algo tão bom.
Lembro-me também que, certa vez, ela me disse que poucas pessoas sabiam como ela era de verdade, o que gostava de fazer, como gostava de viver. Nesse dia, eu fiquei em silêncio por alguns segundos, abismado com o que acabara de ler. Foi incrível, sabe. Eu sempre me senti assim durante toda a minha vida. Me refugiava em meus sonhos, em minhas vontades, justamente para não ter que ouvir pessoas que eu gostava me dizendo que eu deveria mudar, que deveria viver a realidade. A realidade não é o bastante pra mim. Nunca foi. Eu sempre precisei de algo mais. Alice me mostrou que também possuía essa mesma vontade, pois todos precisamos de um lugar onde ao menos podemos ser nós mesmos, sem ter que nos preocupar com imagem, com o que vão pensar de nós.
Ela é como se fosse uma mulher que não conseguiu deixar de lado aquela criança interior sabe. Gosta de assistir desenhos da Disney, gosta de assistir filmes que, hoje, muitos consideram infantis ou fantasiosos demais, gosta de usar a imaginação, gosta de criar. Meros mortais, mal sabem eles que viver é isso. É encontrar nas coisas mais simples a inspiração necessária para acordar todo santo dia e ver algo de bom nas ruas cinzentas de violência, é ver um sorriso em rostos que hoje já não conseguem demonstrar sentimento algum por conta do peso da tal realidade que eles vivem tentando nos mostrar como sendo a única saída. Uma pena mesmo.
Sempre que eu tinha alguma dúvida, me escondia na minha própria mente, tentando achar a resposta. Não eram dúvidas que o Google responderia. Se eu compartilhar todas elas com alguém que não tem a visão que tenho sobre a vida (não sendo maior, mas diferente), essa pessoa zombaria de mim, dizendo que eu deveria parar de viajar. Acredite, já me disseram isso. Com ela, eu nem preciso completar meu pensamento. Ela constrói o caminho que me levará à resposta. E o melhor disso tudo é que eu sinto que faço o mesmo por ela. Ao longo de, aproximadamente, 5 anos de amizade, eu sinto como se a conhecesse de outra vida, de outro momento totalmente diferente desse, mas que representou o mesmo carinho, que talvez tenha sido tão grande que apenas uma vida não seria o bastante para mantê-lo, tendo eu que senti-lo também nessa.
Mas confesso que, de todas as conversas que tive com Alice, a de hoje foi a mais..silenciosa. Há algum tempo, principalmente quando, por conta de alguns acontecimentos, percebi o quanto é importante dizer o que se acha de alguém que se gosta por não sabermos até quando poderemos fazê-lo, venho tentando dizer a ela o que ela representa pra mim. Ontem eu o fiz. Disse tudo que havia guardado em mim. Ela me ouviu como alguém raramente o faz, e me respondeu coisas que nunca mais sairão da minha cabeça. O que mais me marcou foi o trecho em que ela diz acreditar que, se essa história de alma gêmea for verdade, a dela havia encarnado em mim, tamanha a semelhança de personalidade que possuímos. Ela disse que muito do que eu sou, ela vê dentro de si. Foi fantástico. Principalmente porque eu havia dito, com as mesmas palavras, tudo isso à minha irmã, dias antes.
Você deve estar pensando que vivemos nos encontrando, criando coisas pessoalmente, viajando enquanto ficamos sentados, olhando para o céu. Na verdade, ao longo de todos esses anos, a encontrei apenas 5, 6 vezes, sendo que uma delas - a primeira -, quando me lembro, sinto vontade de rir de mim mesmo. Eu estava jogando vôlei com alguns amigos, e ela chegou, parando o carro em frente à casa de uma amiga minha na época. Eu olhei e pensei: "Eu a conheço". E conhecia mesmo. Mas quem disse que tive coragem de ir falar com ela. Naquela altura do campeonato, eu já admirava ela demais para me sentir confortável em aparecer na frende dela sem ao menos estar arrumado ou com algo bom pra dizer. Haha. Fiquei observando de longe, enquanto ela ficava de pé, embaixo de uma árvore, fazendo o mesmo. Chegando em casa, ela me perguntou pela net o porquê de eu não ter ido lá e cumprimentado-a. Eu apenas disse que não consegui. Não tinha resposta que descrevesse melhor o que aconteceu comigo.
Sabe diário, às vezes penso que, ao vivo, eu fico tão na minha que isso pode ser uma resposta ao medo que tenho de que ela pense que eu não sou tudo isso que aparento ser através das nossas conversas virtuais. Eu sei, parece uma frase de quem não se garante, mas não é isso. Penso que é um exemplo do imenso carinho que sinto por ela, tendo até medo de que o carinho que ela sente por mim diminua. Mas hoje isso passou um pouco. Acredito que, ao vê-la pessoalmente mais algumas vezes, essa sensação foi indo embora. Inclusive, existe um dia que me fez perceber que ela era tudo e mais um pouco do que eu imaginava. Foi na casa de um grande amigo que tenho que aconteceu, quando, finalmente, eu consegui ficar ao seu lado e conversar sobre algo genuíno, algo que fazia parte do nosso repertório de conversas. A pergunta era simples, mas arrasadora em seu contexto: "O que são as estrelas?"
As respostas foram tão especiais quanto essa amizade é hoje para mim. Eu espero muito poder caminhar ao lado dela por muitos e muitos anos, vivendo, quem sabe, na eternidade, e torcendo para que um dia possamos passar tudo isso que aprendemos para alguém, assistindo em frente a um lago, sentados em um banco, a disseminação de tudo que conseguimos criar, descobrir, sentir e aprender durante anos de amizade que, mesmo não possuindo características de uma amizade comum, já me fazem acreditar que ela é eterna mesmo. Acredito que, como ela disse, ao fechar os olhos, sempre contarei com sua presença, onde quer que ela esteja no momento, pois a resposta que vier à mente é a resposta que sairia de sua boca, caso estivesse logo em frente a mim.
Um texto assim não é capaz de demonstrar com perfeição, mas acredito que você entendeu o porquê de sempre colocá-la em minhas histórias. Alice representa algo que eu desvendei sobre a vida, e um tesouro assim eu não quero perder nunca. Uma das certezas que possuo é de que nunca vou conseguir colocar um rótulo nela, pois ela se reinventa a cada dia para mim. E isso me dá forças para seguir em frente.
Bom, acho que você entende agora. De alguma forma, eu vou conseguindo mostrar aos poucos tudo isso a ela. Isso é bom. Principalmente para um cara que sentia um frio enorme na barriga quando, ao ver um sorriso inspirador, sentia medo de arriscar. Eu o fiz. Com ela. E o melhor sabe o que é? Olhando por esse lado, eu percebo que até hoje sinto esse tal friozinho na barriga ao iniciar uma conversa com a branquinha. E isso, isso é muito bom. Até mais ver.
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(Texto retirado do diário de Carter)
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