terça-feira, 29 de setembro de 2009

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- Me parece ainda triste. É impressão minha?

- Não, não. Realmente estou.

- Mas ela não melhorou? Havia me dito que hoje o dia foi bom. Disse que ela havia sorrido mais, acreditado mais.

- De fato, aconteceu. É claro que ainda fico triste em não saber o que ela tem, mas a tristeza de agora tem outro motivo. Estou frustrado.

- Descreva-me o que aconteceu. Talvez possa amenizar esse sentimento. Tudo que menos precisa agora é de desmotivação, concorda?

- Como sempre, admito sua razão. Me diga, em momentos difíceis, você tem a base necessária daquelas pessoas que sempre sentiu que estavam perto de você?

- Sim, sem elas tenho certeza que não aguentaria muito.

- Então você entenderá. É daí que vem minha frustração.

- Explique-se.

- Ao longo dos últimos dias, venho fazendo o possível para manter a tranquilidade. Tarefa difícil, tendo em vista o que está em jogo. Mas, por ela, vale a pena. Até então, estava conseguindo sem muitos problemas, pois tenho certeza de que, apesar dos sacrifícios, é por uma ótima causa. Preciso que ela continue ao meu lado, e, já que ela sempre se dedicou a mim por completo, não tenho dúvidas em retribuir tal carinho. A questão é aquela frase...

- Frase? Que frase?

- "Se depender de você, ela morre..."

- Te disseram isso? Mas havia motivo? Diga!

- Sim, disseram. Veio de uma pessoa que vive este mesmo momento, ou ao menos penso que vive. Tal pergunta nasceu da incapacidade que esta teve de analisar toda a situação. Talvez não tenha dado a devida atenção ao problema, notando sua dimensão.

- Claro. Não deveria se frustrar com isso.

- Mas me frustro. Me frustro por ter que ouvir isso de alguém que deveria apoiar todos os esforços que estamos fazendo.

- Como você disse, ela ainda não vê a dimensão do problema, nem tampouco possui sua solução. Sendo assim, não tem o direito de questionar sua atuação até aqui. Deveria se orgulhar por tudo que tem feito. Mas sei que sente que não é mais que sua obrigação fazer com que ela tenha paz em um momento tão turbulento.

- É, pode ser que eu esteja dando atenção a coisas que nem merecem tanta. Preciso manter o foco. Quando coisas assim acontecem, difícil é nos reencontrarmos e seguirmos novamente o caminho certo.

- Quer uma dica?

- Por favor.

- Tente.



E, mais uma vez, Alice me abriu os olhos para o que realmente merece nossa atenção.

Não importa o tamanho da dificuldade. O que torna as pessoas interessantes é exatamente a capacidade de encontrar respostas até em lugares aparentemente desprovidos delas. Em meio à frustração, uma foi encontrada.


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