Essa é uma pequena, porém, não menos importante passagem da minha vida, a qual resolvi chamar de:

Se existiu uma sensação que não combinava em nada com os meus últimos dias, antes de conhecê-la, era a paz. Turbulentos momentos de apreensão, angústia. Olhava pela janela de casa procurando um sinal de Deus, ou qualquer que fosse o ser divino que pudesse me dizer o que fazer. Sofrimento; desespero. Se são em momentos assim que costumamos aprender mais com a vida, posso dizer que já tenho alguma experiência para passar, apesar da minha idade ainda tímida. A propósito, meu nome é Jack, e aqui apresentarei a todos vocês uma pessoa que vem sendo uma base para mim, e o melhor, vem sendo um exemplo de conteúdo, uma mulher que exala interesse e respira paixão pelas melhores coisas da vida.
Sally é seu nome.
Gosto de pensar que quando alguém assim aparece em minha vida, aproveito a chance e tento tirar o máximo de suas palavras, gestos, vontades. Pessoas assim exalam essa luz, esse sinal, como se dissessem " Hey, eu tenho muito o que dizer, e muito pra ouvir!"
Era apenas uma tarde qualquer de um fim-de-semana qualquer. A conversa fluía como sempre, e o prazer da companhia de algumas das melhores pessoas do mundo criava a sensação de que não haveria lugar melhor para se estar naquele momento.
Mas às vezes a vida nos mostra que é justa, e que podemos merecer um agrado a mais por tudo que fazemos de bom por aqui.
Em passos tranquilos, charmosos, ela se direciona até a cozinha, local que nos acolhia. Eu a conhecia apenas através de idealizações que fazia com base em frases ditas por um grande amigo. E ela conseguiu uma proeza: dessa vez, minha imaginação não foi páreo para a realidade.
Sally era ainda melhor. Sério! Costumo dizer que, quando uma pessoa possui coisas boas a dizer, ela gosta de observar, de escutar. Acho que esse pensamento se encaixa perfeitamente em relação a ela.
Seus olhos sorriam junto com seus lábios, que se afogavam em gargalhadas perante às asneiras que saíam de nossas bocas. Suas bochechas rosadas pareciam se intimidar, mas na verdade ficavam vermelhas apenas por não conseguirem parar de sorrir. E como foi gostoso ver aquilo.
O bom de conhecer alguém é perceber que não nos esforçamos com o intuito de dar fluência à conversa. Não precisamos falar sobre o tempo apenas para fingir termos algo a dizer, conseguimos ficar em silêncio e, ainda sim, compartilhá-lo confortavelmente.
Acreditem, percebi isso apenas em vê-la naquele dia, pela primeira vez.
E quando parecia não poder ficar melhor, eis que descubro que ela possui o que eu mais admiro em uma pessoa: mistério.
Não me considero muito sociável. Às vezes, penso que sou egoísta por querer sempre encontrar algo de melhor, de mais interessante em todas as pessoas que cruzam meu caminho. Deixo muitas pra trás por não sentir que elas podem ser melhores. Um erro? Talvez, sim. A questão é que é muito gratificante quando, em meio a tantas, encontro uma que me faz querer ficar horas e horas decifrando seus mistérios (ou, ao menos, tentando) e, ainda sim, me faz ter coragem de apresentar os meus.
Sally consegue fazer isso com muita facilidade.
Conversar com ela é participar de uma viagem por mares calmos, agitados, perigosos e únicos, de uma vez só!
Somos tripulação um do outro. Somos confidentes um do outro. Somos um quando estamos aprendendo um sobre o outro. O produto disso só pode ser a paz que eu procurava desde o começo.
Uma mulher que não se completa apenas com a realidade. Sally não se conforma em viver apenas aquilo que lhe é apresentado, o qual ela consegue enxergar a olho nú. Seus olhos, por mais expressivos e instigantes que sejam, não são capazes de traduzir a maravilha que é sua alma. Ela sente nostalgia, tristeza, arrependimento, alegria, amor... Sentimentos que podem ser representados, por exemplo, pelos filmes que ela mais gosta de assistir. Talvez esse seja seu refúgio, sua proteção contra a realidade que, por mais agradável que possa parecer, ainda sim perde um pouco do charme que encontramos quando somos capazes de sonhar.
Como todos que aprendem com a vida, ela deixou partes importantes da sua para trás. Mas ganhou como recompensa outros detalhes que fazem tudo valer a pena.
Assim como ela, também possuo, agora, um refúgio. Provei o sabor da paz e não querer deixar de tê-la.
Que suas cicatrizes se tornem lembranças de paz, Sally. Sua vida ainda é muito interessante para que seja provida de ouvintes, de admiradores. E eu sou um deles, a partir de agora.
" Se soubesse que isso iria acontecer, teria feito mesmo assim?"
Viajei nesse texto imaginando o rosto da Sally,seus gestos,suas palavras,seus silêncios...
ResponderExcluirÉ tão extraordinário quando encontramos alguém assim.
Seu texto está incrivel,entrei na cena e não queria mais sair.
Grande Beijo.