quinta-feira, 8 de abril de 2010

Vida, Morte e Pensamentos



Capítulo II - Motivos




- Hum. Passar a entender o que o sonho entende. Simples assim? Bem, ele deve saber o que diz. De qualquer forma, falar com o tio Ant no telefone foi bom, ainda mais porque, aqui, minha mãe não está por perto. Vou manter contato com ele a partir de agora. Hum, preciso dormir. Que dia...

[...]

- John Castway, você aceita Emeline Hartnet como sua legítima esposa?

- Sim, padre.

- Emeline Hartnet, você aceita John Castway como seu legítimo esposo?

- Sim, padre, aceito.

- Então, com o poder a mim concedido, eu vos declaro marido e mulher! Pode beijar a noiva.

- Eu te amo....

(Anna, encontre-o...)

- Emeliiiine! Rápido, me abrace. É hora de pular!

- John, não, não, Joooohn!

- Hahaha! Levou um susto? 

- Amor, seu doido! Vamos de novo?

(Anna, diga-o...)

- Sabia que você me faz o homem mais feliz desse mundo?

- John, eu te amo.

- Eu também, Emeline. Nem sei o que faria se te perdesse...

(Anna, sou eu...)

- Alô? Emeline Hartnet? Aqui quem fala é o Dr. Pauline. Gostaria de saber se podemos nos encontrar para discutirmos um assunto importante...

(Me acompanhe...)

- Anna... Stone Street, 213. Balcão. Pães. Sr. Liang. Origami. Abra seus olhos.

- Uh...Hum...O quê... Emeline. Será? Sr. Liang, balcão..Tio, o senhor está começando a me assustar. Um papel...preciso de um papel. Bom, agora preciso de respostas. Deus, o que o Tio Ant faria se estivesse no meu lugar?


Stone Street, 213, 14h30min.

- Ok, estou aqui. Emeline. Se era você, me diga que estou no local certo pra te entender. Hum, Padaria Liang. Deus, calafrios! Esse sobrenome...Que emoção! É agora... Bom dia.

- Bom dia, minha jovem. Em que posso ser útil?

- Sou nova por aqui. Entrei pra conhecer seu estabelecimento, senhor. Urgh! Quem entra pra conhecer uma padaria? Ai, Deus. Calma, Anna. Vasculhe, procure uma pista, depois diga a verdade, se ela for necessária.

- Fique à vontade, Anna.

- Obrigad...Deus, ele sabe o meu nome!? Nós nos conhecemos, Sr. Liang?

- Acredito que sim, pois até você sabe o meu nome.

- Oh, droga. Falei demais. Eer, se eu te disser o motivo, acho que não acreditaria.

- Só se ele for mais inacreditável que o meu. Tive um sonho com você na última noite. Sonhei que você viria exatamente nesse horário, com essa mesma roupa, tendo essa mesma reação e com essa mesma carinha ao me ouvir dizendo tudo isso.

- Por que minhas pernas não me obedecem? O senhor a conhecia? A Emeline?

- E como. Sabia que tinha a ver com ela. Sua voz estava na minha mente durante todo o dia. Sinto tanta falta daquela menina. Quando ela desapareceu, tinha a sua idade, sabia?

- Sério? E por que ela se foi?

- Eis a questão. Ela apenas...sumiu. Sem deixar rastros, sem deixar respostas. Sabe, ela deixava meu dia tão alegre. Sempre, depois do trabalho, ela me visitava e ficava aqui na padaria, comigo, aprendendo Origami.

- Origami! Hum, sempre adorei mas nunca aprendi a fazer. E ela, aprendeu?

- Sim, sim. O mais famoso de todos. Inclusive, não sei se estou ficando maluco, mas creio que isso é seu.

- Que lindo, Sr. Liang! Um cisne...Não me diga que...

- Sim, foi ela que o fez. Antes de desaparecer, Emeline veio até aqui e o entregou a mim. Disse que eu saberia quando deveria passá-lo adiante. Depois do sonho de hoje, creio que chegou a hora. 

- Não é possível que os dois sonhos sejam tão ligados apenas por coincidência. Esse cisne. Era sobre ele que ela falava. Droga, minha mãe me ligando logo agora? Obrigada, Senhor Liang. Preciso ir. Se tiver notícias, venho correndo lhe contar.

- Tudo bem, Anna. Fique em paz.

- Acho que é hora de contar as novidades ao Tio Ant. Emeline e John. Um cisne de papel. Ela tinha a minha idade! Ele vai adorar saber de tudo isso. Se bem que ainda preciso entender tantas coisas. Agora é tentar esconder da minha mãe o motivo do meu sumiço. Droga. Não queria que fosse assim. Ela poderia dizer porque não gosta do Tio Ant, dizer qual é o tal motivo bom que ela tem pra fazer isso... Tantos pensamentos juntos. Preciso ser menos ansiosa. 

[...]

- Hum, 3555... Atende, atende. Tio Ant! Tudo bem? O senhor não vai acreditar no que eu tenho pra lhe contar...


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