
Sem ar. Essa é a sensação que Joe possui quando termina de ler as últimas frases que Kethleen decide enviá-lo naquele momento.
Os dois haviam conseguido algo que não nasceu para existir com a distância.
Uma importante questão
O que é melhor que ser desejado?
Sentir desejo.
Joe, antes um admirador em particular, percebe que ela também o deseja, e que demonstra isso através de pitadas de palavras charmosas e silêncios reveladores. Ele a deseja como se pudesse tocá-la, mesmo estando a kilômetros de distância de tua boca, de teu corpo. Ela, por sua vez, sabe que, naquele momento, o possui por completo, sendo privada apenas de sua proximidade física, pois tudo o que ele pensa, sente, já é de sua responsabilidade.
O sentimento de aventura toma conta dos dois. O sentimento de medo a deixa sempre com um pé atrás.
Ele não mede esforços para fazê-la sorrir. Joe faz isso por egoísmo. Sim, por egoísmo, já que fazendo-a sorrir ele sente um prazer enorme em tê-la ali, só pra ele, fazendo-a nunca mais esquecê-lo.
A conversa se torna mais íntima a cada segundo que teima em passar. Ele treme de desejo. É estranho, pois trata-se de um rapaz que, por mais que goste de carinho - e ele gosta muito -, sabe se controlar como ninguém, tentando não parecer estar tão entregue assim. Orgulho. Ah, esse sentimento tão controverso. Aqui ele não tem vez. Não contra o que os dois sentem naquele instante.
São noites seguidas se acumulando, esperando o momento ideal para a revelação não tão inesperada assim. Com uma tática suicida, ela arranca dele o mistério mais bem guardado, ou não, que já teve o prazer de possuir.
São duas pessoas fazendo o que de melhor há na vida: dando carinho, uma à outra. A única diferença é que os dois conseguem isso sem nem ao menos se tocarem. São apenas as palavras, as expressões, os olhares.
Em suma, é uma questão de liberdade.
Ela deseja voltar a ser livre. Ele deseja oferecer momentos de liberdade a ela. Tudo se encaixa. Tudo é perfeito. O mundo paralelo criado naquele momento só tinha espaço para as expectativas daqueles dois.
Kethleen o faz morder os lábios de desejo. As mãos de Joe insistem em acariciar seus próprios cabelos, admitindo encontrar-se ali um cara com tantas expectativas que já não consegue disfarçá-las. Sua ansiedade é entregue através de manias como essa.
A imaginação de Joe - taxada quase sempre como fértil, até demais - agora tem um motivo especial para se esforçar além do usual: ela. Kethleen brinca com suas manias, com suas vontades. O manipula apenas com seu charme, e o faz não conseguir dormir naquele dia de mensagens tão prazerosas quanto um beijo molhado da pessoa que mais te faz querer ficar acordado numa noite de chuva.
Ela sabe seduzir. Ele sabe mostrar que foi seduzido. Os dois estão indo de encontro ao momento da comprovação de todas as expectativas aqui apresentadas.
Naquele dia, o da revelação, ele não dormiu. A loucura oferecida por ela o fez criar milhões de situações, apenas para não ficar um segundo sem imaginar como seria beijá-la, tocá-la, sentir seu cheiro.
E como pensar em tudo isso é bom. Imagine como seria se acontecesse?
E aconteceu.
Mas tais detalhes ele resolve deixar para descrever quando o seu ar der as caras novamente. Por enquanto, Joe ainda é só um corpo em transe. Por culpa dela, diga-se de passagem.
bela forma de expressar o egoismo do amor.
ResponderExcluiresse egoismo bobo que nos faz sempre tão bem em ser ocasionalmente altruista =)