quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Parte III




Eternidade: 1 Vida eterna. 2 Imortalidade. 3 Direção infinita.

Folheando algumas páginas de um dicionário, me deparei com essa definição. Fiquei pensando se estes três termos são capazes de resumir bem a grandiosidade dessa ideia.

Alcançar o infinito sempre foi um desejo sempre presente nas variadas personalidades que nesse mundo se encontram. Chegar ao maior tempo de existência possível, possuir a habilidade de viver eternamente. Tudo isso é tentador. Tentador e, por que não, possível?

Ser imortal não significa somente ser capaz de nunca chegar a ter uma conversa franca com a morte. Como ela possivelmente diria: "Sou tudo, menos injusta". Todos, um dia, a encontram. Faz parte do ciclo da vida. A questão é que existem pessoas que conseguem, mesmo com essa previsibilidade, ser tornar imortais. Mas como?

Aquela garota que sempre espera ouvir algo que a faça sorrir, enquanto se senta num banco encontrado numa praça que se isola da loucura da cidade. Ela existe. Ela está ali. Alguém percebe. A proximidade se torna exigência. Alguém a ouve. Ela desabafa. Um abraço acontece. Seu dia é outro. Sua percepção é outra. Ela sorri.

Uma criança se encontra encolhida num canto da cidade. Uma vasilha já não engole moedas. Suas lombrigas agridem seu corpo, pois até elas se encontram na mesma situação que seu hospedeiro. A própria miséria fica envergonhada de tratá-la assim. Um olhar percebe aquele defeito. O mesmo olhar, aos poucos, a enxerga com mais clareza, percebendo detalhes de seu rosto, braços, pernas. Uma mão é estendida. Outra é acolhida. Minutos depois, algo desaparece, algo surge. Fome, alegria. Ela sorri.

A frustração toma conta de sua mente. Promessas são jogadas pela janela. Todos os sonhos adotados são abandonados como orfãos em um orfanato, onde torcem para que a pessoa que um dia os prometeu carinho volte e se redima. Ela já não é feliz. Ele a trata mal. A eternidade daquela relação já não existe há algum tempo. Ela se sente isolada. Alguém se intromete em sua vida. Com ouvidos apurados, consegue entender toda a sua dor. Ela possui um amigo. Ela possui um caminho a seguir. Ele a conquista, a faz viver. Seus olhos se movimentam juntamente com seus lábios. Ela, enfim, sorri.

Três casos. Três exemplos de eternidade. Conseguimos encontrar algum tipo de imortalidade quando entendemos que ela é composta de momentos. Momentos como os descritos logo acima. Todos têm o mesmo desfecho. Um sorriso. Basta apenas um para que o ciclo do infinito se torne real.

Assim como tais exemplos, os três termos, enfim, me parecem realmente resumir a grandiosidade da eternidade. Mas isso só acontece quando uma pessoa consegue enxergar além de um simples significado escrito em um simples dicionário. Felizmente, a vida não pode ser entendida com apenas algumas definições. Ela deve ser degustada. E não há nada melhor que fazer isso deixando, ao mesmo tempo, um gostinho bom na alma de cada um que teima em deixar marcas boas em nossas vidas.

***

" E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia - disse ela.
- Bom dia - respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? - Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços"
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"




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